Hexa é Luxo, mas... Publicado em 07/12/2009 às 15:33:29hs Por Rodrigo Galvão
Neste período que antecede o início do praticamente falido Campeonato Pernambucano, é pertinente comentarmos sobre algo que influi significativamente na vida do nosso amado clube, bem como dos seus torcedores.
Na minha opinião o hexa pernambucano conquistado pelo Náutico em 1968 foi muito importante e marcou uma época áurea do nosso futebol. Época em que apesar de já existir corrupção no meio, poucas eram as vezes que os jogos não eram decididos dentro das quatro linhas. Os clubes locais eram nivelados por cima, e ser "Bi Campeão" já era algo que merecia ser bastante comemorado. Além disso, tem o fato de que os estaduais ocupavam uma boa parcela do calendário, o que fazia com que o torcedor realmente se apegasse a ele. Outra coisa que contribuía era que geralmente os atletas eram formados em casa, por conta disso, ser campeão significava mostrar aos demais que os melhores jogadores eram crias sua.
Naquela época, em todo o Brasil era comum a grandeza de um clube ser medida pela quantidade de títulos seguidos nos seus estados de origem. Como Pernambuco era a quinta força nacional e a terceira em número de clubes expressivos, ser hexa num estado que tem dois rivais fortes era algo grandioso. Os clubes buscavam tais conquistas de forma acirrada. Num momento da história em que a TV era ausente nas transmissões esportivas (para se ter uma idéia a primeira Copa do Mundo televisionada "ao vivo" foi a de 1970), a quantidade de títulos conquistados de forma seguida ecoava Brasil a fora. Era um grande "marketing" da época! Para o Náutico, o hexacampeonato representou tudo isso. E ele colheu os frutos! O Brasil conheceu o alvirrubro pernambucano e isso contribuiu para importantes conquistas daquele período, dentre elas estão: o vice da Taça Brasil de 1967, que fez com que o Náutico fosse o primeiro clube pernambucano a participar da Taça Libertadores das Américas, o que ocorreu em 1968. Outra importante e marcante conquista foi Tri (seguido) da Taça Norte-Nordeste 65, 66 e 67 (embrião do Campeonato do Nordeste), pouco divulgada e valorizada pelo clube.
O que "mitificou" o hexa do Náutico, foi o fato do Santa Cruz, que possuia um grande time montado após a conquista alvirrubra, não ter conquistado também o hexacampeonato em 1974. O Santa Cruz já era pentacampeão naquele ano. Assim nasceu o slogan: "Hexa é Luxo!", que carregamos sempre nas nossas discussões de corredores de colégio, mesa de bar, enfim, de rodas de amigos. Outra contribuição foi a inserção das "seis" estrelas no escudo criado em 1969, e que tornou-se o escudo oficial do Clube. A partir daí o "Hexa" estava cravado no peito dos alvirrubros, e este ano fez quarenta anos que ele cravou-se no nosso manto e não mais saiu!
Tudo muito bonito, tudo muito saudoso. Quem viveu àquele período fala com orgulho de tal conquista. Época em que o Campeonato Pernambucano era esperado com ansiedade e disputado com unhas e dentes! Porém, como toda moeda tem dois lados... O Náutico se apegou de uma forma tal a esta conquista que muitas vezes me pergunto: "E se o Santa Cruz tivesse conquistado o PE de 74?" Certamente o hexacampeonato alvirrubro receberia o valor e o reconhecimento devido, contudo teríamos partido mais cedo em busca de outras importantes conquistas para a nossa galeria.
O que parece ser um grande exemplo de respeito aos heróis da época, tornou-se uma tremenda falta de respeito aos próprios protagonistas da façanha! O Hexa Timbu e toda a década de "60" era para ser o ingresso "definitivo" do Náutico no cenário nacional. Era para ser apenas a primeira de muitas décadas de relevantes conquistas! Este era o desejo dos torcedores, este era o desejo dos jogadores, que diferentemente de hoje eram fiés torcedores do clube e, como já mencionei, dificilmente não eram "crias da casa".
O tempo passou, e em quarenta e um anos o Náutico conquistou apenas "sete" títulos. Enquanto isso o Santa Cruz levou quinze taças e o Sport, dezenove. Mas quem se importa? Afinal, Hexa é Luxo! Definitivamente o Náutico parou no tempo e fez com que o "Hexa", tão importante na história do clube, ultrapassasse o limite do aceitável. Contribuiu para isso a busca incansável dos rivais por tal conquista! O "Hexa", antes ameaçado pelo rival tricolor, parecia inevitável em 2001. Desta vez a ameaça vinha da Ilha do Retiro. Mais uma vez isso não se configurou. Novamente o vencedor do título que "quebrou" a seqüencia adversária foi o Timbu. Com a conquista do Náutico após 11 anos sem títulos, o alvirrubro pôs fim ao desejo rubronegro, além de contribuir para o fortalecimento do slogan mais conhecido do futebol pernambucano.
O que diria o ídolo Bita se estivesse vivo ao ver que o Náutico fez do hexacameonato praticamente a sua razão de existência? Pelo que já ouvi falar do "Homem do Rifle", certamente não gostaria muito. Apesar de não ter participado da conquista de 1968, Bita é o maior ídolo do clube de todos os tempos. Uma característica deste mito alvirrubro era de sempre ir em busca de novas conquistas! Bita infelizmente a gente não pode consultar. Ivan Brondi, outro craque e ídolo do Timbu, jogou a decisão de "68", hoje trabalha no CT Wilson Campos, e um dos principais motivos que o fez abraçar esta nobre causa, foi o desejo que ele tem de descobrir novos talentos que levarão o Náutico a novas e expressivas conquistas. E Ramos? Autor do gol do título de 68, o gol do Hexa! Pois é, Ramos já reconheceu que o Náutico supervalorisa o "Hexa". Se até ele disse isso...
Que o Náutico é maior do que o Hexa todos os alvirrubros sabem disso! Agora, que o Náutico se fez maior que o Hexa... Isso a gente já não pode afirmar com tanta veemência!
É visível o crescente desprestígio do Campeonato Pernambucano. O desequilíbrio local é a cada ano mais acentuado e evidenciado desde o ingresso do Sport em 1998 no Clube dos 13, passando a contar com uma receita bem "gorda" frente aos outros dois rivais locais. O Campeonato Pernambucano é um paciente em estado terminal. Com os valores sempre crescentes no mundo do futebol esta desproporção só tende a aumentar ano após ano. Com isso, as chances do rival conquistar o hexacampeonato pernambucano fica a cada ano mais iminente. É triste constatar que o Náutico já não entra em campo para ser campeão, mas para evitar que alguém seja hexacampeão!
Pois é caros "Timbus", o "Hexa" merece ser valorizado sim! Não podemos desmerecer quem tanto fez pelo nosso "Timba"! Atletas que honraram as nossas cores, mesmo num momento onde a história nos é contada através de imagens que só possuem duas cores! Um time que dá saudades até em que nem havia nascido! É muito bonito reconhecer quem tanto fez pelo nosso clube, mas a história do Náutico não se resume apenas ao "Hexa". Outros importantes, porém longínqüos títulos também têm grande importância na história do Timbu e merecem o reconhecimento devido. O Náutico é maior, é bem maior do que estas conquistas! Vamos olhar e caminhar, aliás, correr em busca de novos títulos, de novos horizontes e de um novo reconhecimeto no cenário nacional. Vamos reconquistar o prestígio singular que os jogadores do hexacampeonato conseguiram para o clube e que por comodismo, desrespeito entre outros motivos que agora não vêm ao caso, foram sendo apagados no curso da história. Recohecimento conquistado pelo que fazemos e não apenas pelo que fizemos é o que o Náutico carece no momento. Tenho certeza que podemos!
VIVA AO HEXA! VIVA AO NÁUTICO!! VIVA A ATUALIDADE!!!
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